Quando se pensa em vampiros, é
inevitável pensar em Anne Rice! Se Bram Stoker é o pai dos vampiros, então Anne
Rice com certeza é a mãe! E por falar de Bram Stoker, ele sempre será o autor
de Drácula, mas Howard Allen Frances O´Brien, ou Anne Rice, como ficou
conhecida, será sempre “o mito” da Literatura Vampiresca.
Os vampiros das Crônicas Vampirescas, criados por Anne Rice em 1976,
são, acima de tudo, criaturas complexas e sensuais. Apesar disso, seus vampiros são
incapazes de manter relações sexuais, e no lugar disso, utilizam a troca de
sangue entre eles como uma relação muito mais poderosa e prazerosa.
Diferente de muitas outras histórias de vampiros, Lestat e seus
amigos não possuem a capacidade de se transformarem em animais, como morcegos e
lobos, encontrados em histórias como Drácula de Bram Stoker, mas apesar
disso, conseguem voar com suas formas naturais, se é que exista qualquer coisa
natural em relação a um vampiro.
Símbolos sagrados, lugares sacros, estacas, água
benta, são alguns dos itens comumente utilizados no ataque a vampiros, mas que
não possuem qualquer efeito sobre seus personagens. Apesar de Lestat desobedecer
as regras de sua própria criadora em alguns momentos, os vampiros de Anne Rice são
vulneráveis ao fogo e ao sol, e por isso, descansam durante o dia em caixões, e
saem para se alimentar apenas durante a noite.
Outro mito destruído por Anne Rice é a relação
de vampiros com
espelhos. Segundo ela, mesmo que seus vampiros tenham
certos atributos sobrenaturais, eles existem no mesmo plano físico que os
humanos, e normalmente precisam se conformar com as mesmas leis físicas,
incluindo as leis óticas, o que os faz refletir em espelhos como qualquer ser
humano. Claro que voar, não é uma delas, mas também não é para todos.
- Entrevista com o Vampiro
(Interview with the Vampire - 1976)
De longe seu maior sucesso, ela disse
que escreveu este livro em apenas uma semana, logo depois da morte de sua filha
Michele, que tinha somente 5 anos e sofreu muito até morrer por leucemia.
Podemos ver suas características marcantes na personagem da vampira Claudia
transformada por Lestat.
Só para deixar claro, Louis não é o
personagem principal da série! Lendo os livros verão que o Lestat é o cérebro e
a alma de toda história… bem, mas voltando ao primeiro livro da série, Louis
conta ao repórter Daniel Molloy sua história; como foi seu encontro e convivência
com Lestat e como transformou-se em um vampiro no século XVIII em New Orleans
(Louisiana sem dúvida é o Estado dos vampiros nos EUA!).
Ao contrário de todos os vampiros do
livro, Louis recusa-se a perder suas características humanas, é cristão e luta
para sobreviver sem tirar a vida de seres humanos, alimentando-se no início apenas
de animais. Um dia, porém, não resiste e morde uma garotinha, Claudia. Lestat,
ao descobrir, fica tão empolgado, e acaba a transformando em vampira.
Os dois tornam-se muito amigos, sendo
um a razão de ser do outro, mas Claudia não é feliz, porque ela amadurece
e torna-se adulta, mas fica eternamente presa no corpo de uma criança. Lestat,
enciumado da relação dela com Louis e também farto de suas “crises
existenciais”, se afasta dos dois. Claudia considera que ele é um peso a ser
eliminado, e então o assassina. Para comemorar, ela marca com Louis uma viagem
para a Europa. Mas logo antes de embarcarem, para surpresa e pânico de ambos,
eles descobrem que Lestat na verdade não morreu.
Em Paris, Louis conhece Armand, o líder
de um grupo de vampiros, e espera que ele, já que é provavelmente o mais velho
vampiro existente, dê algumas respostas, o que descobre não ser possível. Logo
após, o grupo que Armand lidera assassina Claudia, levando Louis a uma fria
vingança que não poupa ninguém, a não ser o próprio Armand.
O filme:
O filme é bem fiel ao livro, foi acompanhado pela escritora que
tentou fazer com que fosse o mais detalhado possível. Chegou aos cinemas em 1994,
nossa… é nesses momentos que vemos quanto tempo já passou e que estamos ficando
velhos!
O filme conta com Tom Cruise interpretando Lestat de Lioncourt,
Brad Pitt como Louis de Pointe du Lac, Antonio Banderas como Armand, Kirsten
Dunst como Claudia e Christian Slater como Daniel Molloy, o repórter.
Curiosidades:
Quando Anne Rice escreveu o roteiro de Entrevista com o
Vampiro ela tinha pensado em chamar o ator Rutger Hauer para interpretar o
vampiro Lestat. Quando soube da contratação de Tom Cruise para o papel, Rice
declarou estar profundamente desapontada com a escolha e que não acreditava que
Cruise conseguiria dar a força dramática necessária ao personagem. Entretanto,
após assistir ao filme concluído, a escritora voltou atrás e divulgou um pedido
público de desculpas pelo julgamento antecipado de Tom Cruise feito por ela.
O entrevistador do filme seria o ator River Phoenix, o que
apenas não ocorreu devido à sua morte antes do início das filmagens. O ator
Leonardo DiCaprio chegou a ser sondado para o papel, mas o personagem terminou
ficando com Christian Slater, que doou seu cachê por completo às instituições
de caridade prediletas de River Phoenix.
A atriz Christina Ricci fez testes para a personagem Claudia e
mais uma vez perdeu para Kirsten Dunst.
Em algumas cenas Cruise atuou em cima de uma plataforma/
elevador, que o elevava a uma altura que diminuísse a diferença de tamanho
entre ele e os demais atores que interpretaram vampiros no filme.
- O Vampiro Lestat
(The Vampire Lestat - 1985)
Segundo volume das Crônicas
Vampirescas, publicado em 1985, um dos grandes clássicos de Anne Rice, o livro
conta a história do vampiro Lestat de Lioncourt, um dos personagens mais
charmosos, perturbados e carismáticos da autora, desde seus dias como humano
morando no castelo de seu pai quando era um aristocrata, passando por seu
encontro com o vampiro que o transformou contra sua vontade, até o encontro com
Akasha. Descreve também sua vida por todos esses séculos e como se transformou
em um ídolo de rock. A partir daí a história continua no livro A Rainha
dos Condenados.
- A Rainha dos Condenados
(The Queen of the Damned - 1988)
Em A Rainha dos Condenados, a escritora
descreve vampiros para todos os gostos. Jovens e delinquentes, como Baby Jenk,
da Gangue das Garras, românticos como Armand e Daniel, estudiosos como Jesse,
que investiga para a organização conhecida como Talamasca, a história desses
seres estranhos, imortais misturados entre mortais, para quem sangue, sexo e
morte são elementos necessários do dia-a-dia.
Reunidos em torno de Lestat, eles
respondem ao chamado de sua música quase hipnótica e correm, um perigo difícil
de evitar. É que o som de Lestat desperta Akasha, a mãe dos vampiros, a
encarnação da força maléfica feminina, disposta a escolher os justos, entre os
vampiros, através de um banho de sangue. Anne Rice prova em A Rainha dos
Condenados saber fazer em literatura o que Lestat faz em música.
O filme:
De fato não é lá grande coisa, se quiser assistir por
curiosidade é bom para quem curte a série. Além de não ter o elenco original
(Tom Cruise como Lestat de Lioncourt e Antonio Banderas como Armand), eles
misturaram a história de O Vampiro Lestat com A Rainha dos Condenados. Preciso
fazer uma observação aqui, o segundo livro da série é simplesmente gigante, tem
quase 500 páginas e A Rainha dos Condenados tem mais outras 500 páginas
também!!! Como é que eles achavam que iam fazer algo descente juntando os dois
livros assim? Bom, enfim… Tem gosto pra tudo!
No filme o vampiro Lestat (Stuart Towsend) reinventou a si mesmo
e agora é uma grande estrela do rock contemporâneo nos Estados Unidos. Sua
música acaba despertando Akasha (Aaliyah), a rainha de todos os vampiros, cujo
poder é tão grande que para combatê-la todos os vampiros da face da Terra
precisarão se unir a fim de evitar sua própria extinção. Mas assim como a
música de Lestat inspira Akasha, que deseja fazer dele seu rei, ela também faz
com que Jesse (Marguerite Moreau), uma jovem fascinada pelo lado negro da vida,
se apaixone por Lestat.
- A História do Ladrão de Corpos
(The Tale of the Body Thief - 1992)
Neste 4º livro das Crônicas
Vampirescas, Lestat, recebe uma proposta tentadora: ser humano outra vez, com
todos os cinco sentidos alertas, comendo e bebendo a luz do sol, para isso ele
tem que trocar de corpo com uma outra pessoa.
O enredo torna-se mais denso quando o
ladrão de corpos decide não devolver o corpo de Lestat, de forma que este
desprovido de poderes tem que recorrer aos seus amigos em busca de ajuda.
Rapidamente acaba por ser socorrido pelo seu grande amigo David e juntos
envolvem-se numa aventura para vencer os poderes sobrenaturais que o corpo de
vampiro possui.
- Memnoch
(Memnoch The Devil - 1995)
Traz as desventuras de seu mais famoso
vampiro, Lestat de Lioncourt, que, após matar Roger, um traficante de grande
poder, acaba encontrando-se com o próprio Príncipe das Trevas, Memnoch, que o
convida para ser o próximo herdeiro do trono infernal. O que atrapalha os
planos de Mennoch são os vampiros aliados de Lestat, Louis de Point du Lac,
Armand, David e Dora, a bela jovem que ele conheceu, filha do traficante que
assassinou.
Neste livro, Lestat conhece o
Firmamento e o Inferno, o Purgatório e a verdadeira história de Memnoch, um
anjo caído que, há tempos, foi um dos preferidos de Deus. Foi punido com a
queda por envolver-se de forma carnal com uma mortal.
Este é um dos livros menos conhecidos
das Crônicas Vampirescas. Ele não é a continuação de qualquer um dos outros
livros, o que torna mais vantajoso, antes de lê-lo, conhecer bem as histórias
de Louis, Armand e David. Ele foi lançado em 1995 e chegou ao Brasil em 1997.
- O Vampiro Armand
(Armand - 1998)
Este volume das crônicas vampirescas é
todo dedicado a Armand, o vampiro que é ao mesmo tempo angelical e diabólico
que teve um papel importante no primeiro livro da série, o clássico “Entrevista
com o Vampiro”.
O livro acompanha a trajetória do
vampiro desde sua infância em Constantinopla até ao clímax, nos fatos já
citados pelo vampiro Lestat.
Neste momento é importante ressaltar
que embora maravilhoso, o Antonio Bandeiras não tem nada a ver com a descrição
da escritora no livro, ela descreve Armand com feição de garoto, rosto de
querubim, corpo frágil, entre outros, cá entre nós características
completamente adversas do ator. Desde sua primeira aparição em Entrevista com o
Vampiro, Armand não tinha merecido grandes elaborações por parte da autora, ou
arroubos de público. Com este livro, Anne Rice faz justiça a um personagem
muito mais complexo e interessante do que o choramingas Louis e, em alguns
aspectos, até do que o controvertido Lestat, e isto em grande parte, à idade de
Armand, que é velho pra chuchu.
Nascido em Kiev, dotado de um
fantástico talento para as artes, o garoto Andrei acaba prisioneiro dos
tártaros e é vendido como escravo. Depois de comer o pão que o diabo amassou, é
comprado por Marius, um poderoso mecenas e artista italiano. Para os fãs de
Anne Rice, Marius não guarda surpresas – parte de sua história de milênios já
foi contada em O Vampiro Lestat.
Na Veneza renascentista, o talento de
Andrei – agora chamado Amadeo – se desenvolve, assim como a descoberta do luxo
e dos prazeres (em homossexualidade sutilmente apresentada, como em TODOS os
livros das Crônicas). Quando Amadeo está às portas da morte por envenenamento,
o amor de Marius leva diretamente à sua transformação. Como vampiro, Amadeo
renasce, a separação entre o garoto e seu mestre é trágica e leva Amadeo à
Paris do século dezenove. Acreditando que Marius está morto, o agora chamado
Armand se envolve com a decadente sociedade vampiresca local, tornando-se mais
tarde o amargo e cínico líder do Teatro dos Vampiros. É também em Paris que
Armand conhece Lestat, com quem manterá relacionamento de amor e ódio.
Anne Rice aproveita-se da oportunidade
para dar dicas do paradeiro de Lestat na atual Nova Orleans, o que sugere que a
autora ainda não tinha desistido de retomar as aventuras de seu personagem mais
famoso. Mas The Vampire Armand também a redime pelas baboseiras de Memnoch The
Devil, rejeitado até por seus fãs mais ardentes. Sabiamente, ela deixou de lado
o delírio religioso para concentrar-se no fascinante universo vampiresco.
Depois de mandar Lestat em peregrinação turística pelo Céu e Inferno, só podia
mesmo melhorar.
- Merrick
(Merrick - 2000)
Anne Rice mescla vampiros e bruxas
ligadas ao vodu neste novo romance. Merrick é uma bruxa sedutora e poderosa que
conta sua saga para David Talbot, um estudioso do ocultismo que foi
transformado em vampiro. Ela tenta trazer a vampira Cláudia, uma mulher presa a
um corpo infantil, de volta à vida a pedido do vampiro Louis.
- Sangue e Ouro
(Blood and Gold - 2001)
Dando sequência às crônicas
vampirescas, Anne conta a história de dois de seus fascinantes personagens,
Marius e Thorne, poderosos Filhos das Trevas. O primeiro deseja vingança contra
um antigo inimigo, enquanto o segundo anseia pelo reencontro com sua criadora.
Revelando o sombrio mundo dos seres imortais, Sangue e ouro abordam os
sofrimentos da vida eterna. Oh, como é difícil ser imortal! Rsrs
- A Fazenda Blackwood
(Blackwood Farm - 2002)
Nesse livro, a história gira em torno
de Tarquinn Blackwood, um jovem sedutor e excêntrico, único herdeiro de uma
imensa propriedade que leva o nome de sua família e que é assombrada por
fantasmas e outras criaturas. Entre as assombrações está Goblin, um espírito
manipulador e poderoso que controla Tarquinn desde a infância e cujo poder e
fúrias se intensificam depois que o jovem é transformado em vampiro.
Atormentado, Tarquinn decide procurar o famoso vampiro Lestat em Nova Orleans e
pedir sua ajuda. A fim de que Lestat saiba como agir, o rapaz conta para ele a
saga da família Blackwood, uma narrativa que leva o leitor da Nova Orleans dos
dias de hoje até a antiga Pompéia, passando pela Nápoles do século XIX, em uma
vertiginosa história repleta de traição, mistério e sangue.
Em A fazenda Blackwood, Anne Rice, em
sua melhor forma, conta a história de um jovem em busca de sua verdadeira
identidade. A escritora norte-americana mescla como ninguém suspense, terror e
erotismo, criando um inesquecível conto de mistério, luxúria e morte.
- Cântico de Sangue
(Blood Canticle - 2003)
Uma história de amor e lealdade promete
levar os leitores de Anne Rice de volta à Fazenda Blackwood. Em Cântico de
sangue, o vampiro Lestat, volta à cena atormentado pela idéia de redenção e
tomado por uma paixão inesperada pela bruxa Rowan Mayfair, outra célebre
personagem da escritora. Mas para levar o romance adiante, há várias barreiras
a serem superadas. A vontade de viver entre os humanos é forte, mas também são
muitos os prazeres da imortalidade. Amadurecido o suficiente para tomar a
decisão correta, o famoso vampiro insiste em percorrer o longo e tortuoso
caminho do conhecimento nesta história repleta de suspense e erotismo.
Novos Contos Vampirescos – Pandora
(Pandora - 1997)
A história de Pandora, vampira de mais
de 2000 anos, é relatada por outro vampiro, David Talbot, na Paris do século
XXI. A saga começa quando Pandora era uma mortal e vivia em Roma, na época do
imperador Júlio César. Ela se apaixona pelo vampiro Marius e juntos vivem um
turbulento romance ao longo dos séculos.
Novos Contos Vampirescos – Vittorio: o Vampiro
(Vittorio the Vampire - 1998)
Iniciadas em 1976 com “Entrevista com o
vampiro”, o livro traz a autobiografia de um ser das trevas que encontrou a
morte em 1450 em Florença, quando era um garoto de dezesseis anos muito bonito.
Vittorio viveu sua infância na casa de Cosimo, “o velho”, que dirigia o banco
dos Medici e era mecenas de artistas como Donatello, Brunnelleschi e
Michelozzo. Ali viu com seus olhos de criança o encontro entre o Papa Eugenio
IV e João VIII, o Patriarca de Constantinopla, que havia vindo de Bizâncio para
o Concílio de Trento. E tudo é contado com a clareza de quem devorou quatro
séculos de cultura inglesa, o que permite que traduza, em suas palavras,
sentimentos mais complexos. Não é a toa que os livros de Rice sejam tão
consumidos e aceitos em escolas ao mesmo tempo em que atraem seguidores que os
vêem como cult.
Espero que os fãs tenham gostado e quem não conhecia
teve a oportunidade de ver o que são os verdadeiros vampiros da literatura
americana.
















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